A espera de uma felicidade
Eu queria estar feliz. Ou deveria. Está tudo bem. Será que está mesmo? Acho que não. E pra ser sincera, cansei de fingir felicidade. Cansei de acordar todos os dias, mal humorada e estampar um sorriso falso na cara. Sorrir pras pessoas quando minha vontade é mandá-las à merda, sem arrodeios. É que eu simplesmente estou saturada de fingir que está tudo bem quando não está. Poderia estar, se meu mundo não girasse em torno de você. Mas gira. Então se a gente não está bem, eu não estou bem. De verdade. E isso inclui a menor das discussões. Não importa o motivo, a hora, o dia. Será sempre assim. Eu sinto demais. Sinto-me uma boba por sentir tanto. Mas eu não consigo ser diferente. Eu não consigo sentir pouco. Só queria não me importar. Ou me importar menos. Mas comigo não é assim que funciona. Tudo me importa demais, me faz pensar demais, me sufoca demais. Conseqüentemente, dói demais. E eu não consigo ser de outra maneira. Eu respiro sentimento. E dói ser assim o tempo todo. Sem pausas. Sem intervalos. Sem momentos de pura paz e desinteresse. Estar “nem aí” não combina comigo. E quando te vejo assim dói tão fundo que você nem imagina. Eu sou o tipo de pessoa que tem alegrias de parar o trânsito. Risadas escandalosas são comigo mesmo. E também aquela pessoa que chora de querer morrer. De achar que não vai agüentar e se entupir de remédios. E depois de você, isso só vem aumentando. Porque antigamente eu conseguia me controlar. Mas hoje em dia parece impossível. Eu te amo. Eu te bato. Eu choro. Faço escândalo. Te abraço. Te beijo. Te mordo. Te arranho. Te beijo de novo. Digo que te amo. Choro novamente. Ou não paro de chorar. Prazer, essa sou eu. A louca que grita, que sente, que chora, que demonstra, que morre de amor e amores e sempre acaba sobrevivendo no final. Mesmo que não acredite. Mesmo que pareça impossível. O fim é sempre uma linda manhã de sol, independente do humor. Só que cansa muito ser assim. Às vezes dá vontade de sumir, fugir, viajar. Fingir que não se importa, embora se importe muito. E embora fosse melhor não se importar de verdade. Mas não tem jeito que dê jeito. Não tem como fugir, meu coração vai junto comigo. E meu coração não me dá sossego. Eu faço demais pelas pessoas, e embora não seja obrigatória a existência de uma reciprocidade, eu sempre espero o retorno. E nem sempre ele vem. E eu cobro. Mesmo prometendo-me que não cobrarei, eu não consigo. Eu peço. E não vem. E se vem, vem furado. Nada pior que um carinho esperado, implorado, cansado. Eu preciso de carinhos inesperados, declarações ao pé-do-ouvido. Cartas de amor, flores ou pelo menos um beijo no pescoço. Beijo na testa não, apesar dos precedentes. Mas não adianta pedir, tem que vir naturalmente. Quero além de atitudes, palavras. Geralmente é o contrário, mas ando precisando ouvir coisas doces. Do tipo “você é linda e eu te amo muito”. Sem precisar esconder, sem negar, sem falsificar. Gritar pro mundo todo ouvir que eu sou a única, a escolhida, a dona dos seus pensamentos. Dos mais puros aos mais impuros. Com orgulho. Sem vergonha, sem indagações, sem aspas. Com todo amor e verdade que alguém que sente tanto merece. Mas não adianta querer que seja assim. As coisas são como são. E não do jeito que deveriam ou você gostaria. Não, nem, nunca. Só me resta esperar que a realidade seja o mais próximo possível de meus desejos. Estou a espera de uma felicidade. Mas felicidade não espera. Felicidade cai no seu colo quando você menos espera. E não é infinita. A vida está cheia de intervalos de tristezas e decepções. Cabe a cada um saber enfrentá-los com classe.

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