Dois caminhos
Escrevo na esperança de aniquilar esse sentimento. De dar nome a ele. Na vontade de acabar com essa ânsia de morte, ainda que oculta. Ninguém sabe o que eu passo. Só Deus. Ele e mais ninguém. Queria que o ódio fosse suficiente para expulsar o amor. Mas não é. Nunca é. Quando a gente gosta, gosta mesmo. Não tem pra onde correr. Ainda que essa pessoa nos fira vezenquando, ou quase sempre. É horrível. Eu odeio a sensação de estar dividindo o que é meu com outra pessoa, mas o pior é que nem é meu. Na verdade nunca foi. Só eu que achava que era. Não sei o que é pior: a sensação de que quem você ama está mentindo pra você ou a certeza. Acho que é a certeza. É como se seu castelo com bases soltas caísse de vez. E é difícil cair na real, de uma hora pra outra. Não consigo aceitar que as coisas tenham tomado o rumo que tomaram. Eu sempre acreditei num final mais feliz, mesmo com um caminho mais ingreme. Numa torre de felicidade, mesmo que fosse difícil de subir. É difícil aceitar o simples, o tranquilo, quando não se tem aquilo que se mais ama. É difícil deixar pra lá quando já se tornou importante demais. É quase que a sensação de deixar algo cair na estrada e não voltar pra pegar. É como se fosse a coisa mais importante, mas não cabe na mala. Pesa e é grande demais. E não dá pra levar nas mãos. Porque vai machucar demais. Mais do que já machucou. É a pior sensação do mundo: a que não sabe se deixa ou se pega de volta. A que não sabe se fica, ou se deve ir embora de vez. A sensação de ir embora querendo ficar.

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