Sem esperar demais

Cheguei ao ápice da embriaguez amorosa: Cheguei a acreditar no infito das coisas. Ainda que todos sempre me digam que nada é pra sempre. Quase achei que eu também era infinita, veja que boba! Só porque o meu amor - provavelmente - era. Ou é, considerando que não foi provado o contrário. Mas agora eu ando um pouco mudada. Não que eu esteja seca, sem sentimento algum. Muito pelo contrário. Tenho em mim os mais lindos sentimentos. Não sou de mentir, fique logo sabendo. Mas não sou santa. Tenho em mim também os sentimentos mais perversos do mundo. Só que nem sempre deixo eles prevalecerem. Dou mais atenção aquilo que é do bem. Para assim seguir sorrindo, apesar do "mas", do "porém." E sempre caminhando com o "além". Pode parecer loucura, mas vou contar um segredo: Ás vezes prefiro estar triste que feliz. Calma, não é bem assim. Não leve tão ao pé da letra. Não, eu não sou uma louca psicótica e masoquista. Não que eu goste de sofrer. Assistir filmes românticos, chorar e me entupir de doces (embora eu goste). É só que às vezes a tristeza dá um sentimento mais esperançoso que a alegria. E eu gosto de sentir esperança. Há sempre uma luz no fim do túnel. E há sempre outro túnel depois dessa luz. A vida é assim, com caminhos ingremes. Alegria sempre acaba. E por isso que tenho uma espécie de "medo" de estar feliz. É como dizem, "Alegria de pobre dura pouco". E quando estou triste, baixa em mim uma espécie de pai-de santo da esperança que quase gera felicidade, por esperar coisas melhores. Aprendi com Caio, o Abreu: "Não há nada a ser esperado, nem desesperado." E eu concordo em gênero, numéro e grau com ele. É por isso que ando preferindo deixar as coisas assim: naturalmente. Por mais difícil que seja. É melhor. Dá menos trabalho. Sem criar muita esperança, entende? Sem falsas promessas, sem brilhos falsos. A realidade segurando uma mão minha e a calma segurando a outra. Gosto de pensar assim. Deixar as coisas dessa forma. Como se acreditando que a vida tenha um lado real das coisas. E deve ter. Acredito piamente nisso. E tem mais: Não acredito nessa história de "Quem acredita sempre alcança". Eu já esperei sentada por coisas que nunca chegaram. A gente não deve esperar bolhotas nenhuma. Tem que ir lá e fazer. Simples assim. Dane-se as coisas vão dar certo ou não. Você não vai saber se não tentar. E não acredito mais nele. Na verdade, não acredito em mais (quase) ninguém. Porque somos gente, e gente é assim: sabe mentir. Aprendi a mentir dia desses também. Já estava em tempo. Aprendi, após muitos erros, que a verdade nem sempre é o melhor caminho. E passei a não confiar mais nem em mim. Ás vezes minto, mas continuo fazendo isso pouco. Definitivamente não é algo que me agrada. Mas  como eu vinha dizendo, nele não confio. Quando a gente ama, é bom confiar. Quase que necessário. Sem confiaça, o carro não anda. É uma especie de combustível do amor. E é por isso que tenho medo. Temo, de verdade. Tento não botar muita expecativa. Fico meio inerte. A expecativa é o caminho mais fácil para se decepcionar. Se der certo, deu. Só que às vezes algo me cutuca, e diz: não dará. Não deu, nunca vai dar. E no outro ouvido um anjinho fala: " O amor supera tudo". Ando meio dividida, meio bem-casado. Preciso de algo para acreditar. Ou não acreditar em nada pode ser mais saudável. Sem vôos, sem quedas. mas é como dizem, "Quem tem medo de chuva não se molha." E às vezes, por um segundo, só o que eu queria é que ele me tirasse do chão, destruisse minhas certezas. Mostrasse que se importa  e me fizesse esentir arrepios. Pular de pára-quedas me garantindo que não me deixaria cair dessa vez. Falasse no meu outro ouvido, junto com o anjo que o amor supera tudo. Mas não só falasse, provasse também. Mostrasse que ainda vale a pena lutar por uma causa (quase) perdida. Só que às vezes parece que ele não se importa. Enquanto pra mim é "se der deu" , pra ele é "se não der, não deu". Como se não fizesse a mínima diferença. Enquando o meu problema é o pessimismo, o dele é o desinteresse. Mas vou indo , vou vivendo, vou esperando sem esperar ou então fingindo que não me importo como eu realmente me importo. E acreditando sempre no final feliz que a vida tem pra mim. Ou pra nós, se Deus quiser.

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