Melodramática

Tenho uma tendência a dramatizar. Exageras os fatos, aumentar. parece loucura mas faço sempre a dor parecer maior do que realmente é. Eu estou bem, mas busco sempre por frases prontas melodramáticas que falem sobre 1% do que sinto. Sabe, só uma palvra, não sou exigente. Quem lê meus textos, principalmente os autobiográficos deve imaginar que eu estou prestes a cometer suicídio. Mas que nada, não se deve levar em consideração muito o que falo. Sou como diria Raul Seixas:"Uma metamorfose ambulante." Eu não sou nenhuma sociopata, só acho bonito usar das palvras e da dor quando quer dizer o que se passa com a gente. Sou assim mesmo quando se trata de mim, música e amor. Geralmente não sei o que falar mas acabo sempre conseguindo meia dúzia de palavras pouco singelas, mas que significam - algo - pra mim. Então expulso aquilo que causa tristeza - assim fica parecendo que só tem dor em mim.- Mas é só uma maneira inteligente de esvaziar de coisas ruins e ficar só com a parte mais doce, se é que você me entende. Então faço da minha dor um grande pinheiro quando ela não passa de um pobre pé-de-feijão. Só não quando ela já é um grande pinheiro, aí eu tento fazer o caminho inverso, voltar tudo de novo e diminuir. Estendo o caso, olhos os prós e os contras e acabo ficando sempre com o que sobre a favor de mim - e de um sorriso, claro -. E penso: "Ah, todo mundo faz merda! Não vou ficar chorando por isso não." Posso ser uma aspirante à poeta, mas vou te confessar, meu caro: Posso ficar desfilando minha dor por aí à fora, assim na teoria, como se fosse a coisa mais linda do mundo. Mas na real, na prática, no jogo duro, não tenho vocação pra sofrer. Procuro sempre fugir daquilo que me faz mal e busco uma janelinha com sol quente no porão velho e empoeirado. Não sou do tipo que chora uma semana após término de relacionamento. Talvez também pelo fato de que eu nunca gostei - de verdade - dos meus namorados. Sério, não sou. Também não sou tipo: "A Fila anda, perdeu playboy!" Demoro a esquecer quando gosto - só não quando esse alguém, fez merda demais, aí eu mando se foder mesmo. - Lógico que existe uma tristeza mas consigo me recuperar com facilidade. Digo, continuo a comer normalmente e assistir filmes de romance sem inundar a sala e até conheço outras pessoas, desde que me interessem. Até, porque a vida segue. E tem mais, não acredito no amor. Porque não entendo como uma pessoa pode gostar de outra. Ou não entendo como alguém pode gostar de mim. Ou eu gostar de outra pessoa. Não acima de tudo. Desrespeitando limites, barreiras, preconceitos. Pra mim isso tudo é complexo demais. Até entendo como alguém pode se amar. Amar os pais, irmãos, família mesmo. Mas amor carnal, pra mim parece muito difícil. Existe mesmo essa coisa de amor? Se sim, ainda não fui apresentada.
Comentários
Postar um comentário