Guardando a arma no bolso
Aqui estou eu, tentando me entender, tentando compreender o que dói e o que queima dentro de mim. Como um cão em busca do seu rabo. De alguém que cansou de ignorar a dor, porque de qualquer maneira, ela continua existindo. Sim, porque dói em mim. Se pelo menos expelisse algo que valesse, mas não. Talvez eu só precisasse de um pouco de paz. Talvez um pouco de tristeza e solidão fosse necessário. Ás vezes a solidão é o melhor remédio pro coração. Mesmo que nesse momento, eu preferisse a confusão. No fundo, no fundo, a gente sabe o que é melhor pra gente. Porque na tristeza eu poderia me despedir de minhas dores. Mesmo que isso significasse me despedir de muitas outras coisas também. Mas é tão difícil, né? O melhor nunca é o mais fácil. E o caminho mais difícil geralmente não é o escolhido. Eu só preciso entender que algumas pessoas são insignigicantes demais pare terem o privilégio de serem o meus fantasmas diários. Mas os nossos fantasmas são exclusivamente nossos. Ninguém deve saber da existência deles, exceto Deus. E ninguém é culpado, exceto nós mesmos, que "permitimos" o acontecido. Mas é assim mesmo. Não é idiotice, é amor. Quando estamos apaixonados devemos confiar, e às vezes algumas pessoas não valorizam isso. Mas cansei de chorar pelo leite derramado. Eu quero luz, Senhor. Não quero mais deixar no escuro os meus problemas. Sim, dói. E dói agudamente. Eu quero mais iluminação. Sei que tudo pode clarear, e quando clarear quero jogar todas as minhas dores fora. Uma forma de superar, e não de esquecer. Cansei de botar tudo para debaixo do tapete. Quero sua ajuda para vomitar de dentro de mim. Para superar. Para dar a volta por cima. Antes tarde do que nunca. Uma hora teremos que nos superar, pois o mundo não espera por a gente. Uma hora teremos que estar prontos, mesmo não estando prontos de verdade, ou de preferência estando. Quero botar para fora esse veneno que bebi no cálice, posto pelo meu inimigo. Inimigo desconhecido, até então. E esses são os piores. Esses que a gente não sabia que existiam. Por isso, se quisermos o melhor deveremos estar esperando pelo pior também. É mais fácil, entende? Estar preparado. A vingança me perturbou durante muitas noites. Mas vingança é um prato que se come frio. E apesar de alguns dizerem que é uma característica minha, acho que discordo, em partes. Acho que sou mais daquelas que falam falam e acabam não fazendo nada, e uma hora acabam esquecendo. Não é bem um "esqueci", está mais para um "passou da hora". Sou meio assim. E acho que a gente costuma criticar nos outros aqueles defeitos que são da gente. Mas enfim, é isso que eu quero: deixar pra lá. Desisti de achar que a vingança viria na carruagem vermelha e no seu cavalo branco. E eu subiria e daria o troco com um salto alto e muito glamour. Eu não fui até ela, e ela não foi até mim. Simples assim. A hora passou, a raiva aumentou mas nada foi feito. Bandeira branca, talvez? Acho bem difícil. Mas agora é o melhor a fazer. Passei a acreditar mais nessa história de que a vida se encarrega de dar o castigo de cada um, e o meu eu já estou tendo. Então, não devo me preocupar. Porque o destino não esquece. Ás vezes, a gente que sofreu a dor esquece, mas o destino não. E o que é seu está guardado. E também não quero desejar o mal para ninguém, dizem que volta pra gente. Estou tentando ser boazinha, como deu para perceber. mas não por ninguém, e sim por mim mesmo. Porque esse veneno só faz mal para quem toma. Quem convive, nem desconfia. Mas eu não quero mais ter isso dentro de mim.

Comentários
Postar um comentário