Saudade sufocada


A noite chega e com ela uma dimensão de sentimentos não identificados. A lua vem e traz consigo coisas que eu luto todo dia pra esquecer. Eu não espero por ele, ele não virá.  Também não fico remoendo os dias com ele, que hoje parecem tão distantes. Não lembro das coisas boas que passamos. Na verdade só lembro das ruins, pra ver se assim, sinta só repugnância e não lembre de nada. Fico possessa de raiva quando escuto aquela música que outrora era a trilha sonora do nosso romance. Por que acabou? Eu me pergunto isso odos os dias. Foi tão de repente, tão sem porquê, tão sem adeus. Gostaria de ter me despedido. Na verdade, gostaria de me despedir todos os dias. Gostaria de você me ligando pela 14ª vez pra saber se estou melhor daquela enxaqueca, sem saber, inocente que o toque do telefone só piorava ela. De você mandar eu vestir um vesido mais comprido. Dos torpedos antes de dormir, dos morangos com chantilly nas tardes ensolaradas e de completo tédio. De você rindo dos meus dedos tortos . Gostaria de te ter por perto nem que fosse pra gente ficar se olhando, sem dizer nada, sem fazer nada. Nossos olhos falariam por nós. Só de lembrar o quanto eu tinha medo. Tinha medo de você olhar nos meus olhos, porque aí você ia ver que eu não conseguia viver sem você. Mas eu não ia temer mais. Eu ia querer que você visse, porque aí você nunca ia me deixar. Isso seria assassinato. Mas como podem ver, eu sobrevivi. Não que eu sinta saudade de tudo isso. Nunca, jamais. Ok, eu sinto. Mas a raiva por não ter tudo isso é ainda maior.

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