Entre o coração e a razão

Acho que no fundo, no fundo mesmo, eu tinha muitas coisas pra te falar. Apesar de já ter te dito "tudo", de ter colocado o meu coração exposto pra você, te apresentado a todas as minhas fraquezas. Apesar disso, sempre falta algo. Mas confesso que tive medo de me expor mais ainda. Porque na verdade isso é um perigo. Claro que é bom demonstrar os sentimentos. Não só bom, como necessário. Deveria ser proibido giardar as coisas lá dentro. Acho que é por isso que o mundo esta assim: desgovernado, confuso. Todo mundo anda, mas no fundo todo mundo está parado. Por dentro, com mágoas, arrependimentos, sentimentos guardados. E isso é muito muito ruim. Só sabe quem passa. Por isso eu penso que é sempre bom a gente expulsar as coisas de nós, falar, ouvir, é sempre, sempre bom. Só que as pessoas são meio más, elas se aproveitam dos sentimentos alheios e criam joguinhos. Fica muito mais fácil fisgar alguém, quando você tem uma maneira de atraí-la para a armadilha. É muito mais fácil vencer um jogo se você conhece todas as regras, todas os truques, todas as máfias. E esse foi o problema: você me conhecia. Como ninguém. Dos meus gostos aos meus defeitos. Das minhas manias aos meus medos. Das minha qualidades aos meus momentos de insanidade. Você sabia extremamente como lidar comigo. Quando me derrubar e a hora certa pra me tirar do chão. Suas atitudes sempre foram muito bem calculadas. Totalmente ao contrário de mim. Eu me joguei mesmo, sem pensar muito. Caí, chorei, demonstrei até demais. Você é inteligente, não mergulhou como a boba aqui. Você gosta de se sentir seguro, e eu te aplaudo por isso. Você é realmente muito foda, meus parabéns! Vai superar sem descer do seu patamar. Afinal você não precisa se rebaixar por tão pouco. Afinal, o que eu fui pra você? Nada, né? Ah perae, né. Quase nada. Era o que você diria com aquele seu risinho irônico que eu tanto odeio, e você sabe tão bem disso. Você me disse coisas terríveis, mas no final falou as três palavrinhas mágicas que derretem qualquer um que tenha coração. Essas palavras tinham um único intuito, me dar alguma esperança. Mas dessa vez não funcionou. Seu intuito era manter o fogo aceso, mas dessa vez não sobrou nenhuma chama de esperança; Apesar de não parecer, eu sou muito decidida naquilo que faço. Remo muito, morro na dúvida, choro, esperneio, tento remar contra a maré. Mas quando vejo que não deu, não deu. É aquele velho ditado do "8 ou 80". Na verdade me decidi na sua decisão. Perguntei se era mesmo o que você queria e você acentiu com a cabeça. Foi o suficiente. Agora iremos nadar em barcos separados., cada um na direção que achar melhor, e não se esqueça que você quem decidiu assim. Você parecia muito decidido na sua decisão e eu quis aparentar estar também. Sei lá, achei bonita essa coisa meio séria, meio adulta, meio  racional. Cansei de ser a boba que chorava e esperneava par as coisas serem diferentes. Como você mesmo disse, eu criei um mundo só meu, onde as coisas são muito diferentes da realidade. Então quis sair desse mundinho nos últimos momentos do julgamento, e te mostrar que eu também podia ser a a independente, egocêntirica, cética, decidida e menos inconformada. Respeitei sua decisão, como um amigo que apóia mesmo não concordando. Por mim, as coisas seriam bem diferentes. Aliás, fiz de tudo para isso. E não me arrependo. E de qualquer maneira, não adianta chorar pelo leite derramado. Whatever. Agora é cada um por si. Como eu mesmo te disse: "Você cuida do seu e eu cuido do meu." Aliás, faz como você estava fazendo. Só quem precisa se adaptar a essa nova teoria sou eu. Calma, fui interrompida. Ouço desculpas Agora só o tempo dirá. Afinal, seria muito bom, se um pedido de desculpas apagasse toda a dor que as palavras causam.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Personalidade

Querido ócio

O meu melhor