Baú de memórias

Aí eu olhei pra trás e pude ver que muitas coisas tinham mudado. Porque, sabe, a gente se acostuma com as coisas. Mas quando volta um passo atrás, dá um pulinho no passado, e depois volta pro presente, é meio que um choque de realidade. Quase a mesma coisa que acontece quando a gente vai mexer naquelas caixas velhas, empoeiradas  esquecidas:  A gente vê coisas que nem lembrava que existia. Foi o que aconteceu comigo. Eu olhei e vi de tudo: lenços antigos, canetas da minha bisa, memórias, cartinhas de amor, extratos bancários, beijos, sapatinho de bebê, saudade. Vi também coisas que eu não queria ver, que prefiria que ficassem guardadas. No fundo das caixas, no fundo do porão, no fundo da minha alma. Mas foi bom. Foi bom apreciar aqueles momentos antigos. Mas só por um instante, sabe? Lugar de passado é no passado. Não quero ser museu de mim mesma, se é que você me entende. Mas acho digno que possamos olhar para trás de maneira que sirva para agirmos melhor no hoje.  De acordo com nossos aprendizados, experiências, antepassados. E ver que um futuro nos espera. Porque o que ontem parecia o fim do mundo, hoje é só o começo. É carta fora do baralho. E é melhor assim.  Deixa sem baralho mesmo. Ele fica melhor, lá no fundo da caixa, junto com toda a tristeza, poeira, e memórias esquecidas. E o bom negócio é aproveitar o agora mesmo, enquanto os lenços ainda são da estação, o dinheiro tá no banco, o bebê ainda não cresceu. Porque depois, vai tudo pra caixa também. E você não vai querer guardar nada sem aproveitar ao máximo, né? Então tá bom de guardar só coisas boas lá também.

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