Lamia
Pois é, o brilho dos olhos dele nunca mais foi o mesmo depois que Lamia dobrou a esquina pela última vez. Afinal, quem era? A última árvore sem sombras, sem dúvida. Borboletas buscavam um motivo para voar. Suas unhas apertavam sem dó suas mãos até marcá-las e deixar o sangue concentrado. - Volte! - Susurrava a noite, enquanto dormia. Será que nem em seu sono tinha a paz de esquecê-la? Lamia não era paz, aliás, ela era tudo menos paz. Mas ele não queria esquecê-la, ele só queria que ela estivesse ali. Ele queria ser o Cavaleiro da Esperança, o Cavaleiro da Esperança saberia o que fazer. Idéias e conceitos eram como molas em sua sanidade. Trem desgovernado o definia melhor. Sem ponto e sem rumo. Ele era um repertório de músicas tristes e repetitivas. Sorria um sorriso de canto de boca, tentando sifarçar sua tristeza e sendo sempre mal-sucedido. Lamia? Estava longe. Foi embora numa madrigada fria, cansada de tantas brigas sem resolução. Não era vilã, só se esgotou e tirou seu time de camp...